"Chorei. Nunca vou conseguir me aceitar, gostar de mim mesma e viver em paz. Essa paranóia me consome por dentro, esse nó no peito que me sufoca cada vez que eu percebo que sou eu mesma. Queria nascer de novo. Queria que alguém pudesse me enxergar. Tenho nojo de quem me tornei. Tenho ódio de mim mesma. Do meu corpo. Dos meus defeitos. Das minhas fraquezas. Quero me destruir para acabar com esse sofrimento, porque eu sei que esse é o único jeito. Eu nunca vou melhorar. Nasci fadada ao fracasso." (08.01.2016 / Sexta-feira, 23:50)
Ando me sentindo depressiva, sem ânimo e extremamente irritada. Antes do tratamento, costumava me isolar em meu quarto durante dias, até que todo aquele sentimento repugnante fosse embora. Hoje em dia consigo enxergar a situação de outro ponto de vista, sei que não posso continuar agindo da mesma maneira, não posso me afastar das pessoas que amo. Aprendi que devemos canalizar nossa raiva em outra coisa, devemos cantar alto (mesmo se não souber a letra, a gente inventa), pintar com os dedos (se sentirmos vontade), dar cambalhotas, cozinhar, brincar de mãe-esconde e etc. Qualquer coisa que nos distraia. Qualquer coisa que você sinta vontade, porque é esse o intuito. Despertar o seu lado artístico.
Dominando os altos e baixos do humor
quarta-feira, 13 de abril de 2016
terça-feira, 12 de abril de 2016
Relato I
Comecei meu tratamento em uma clínica psiquiátrica, fiquei 15 dias internada tomando Carbonato de lítio, Depakote e Quetiapina, fora o Rivotril. Saí da clínica e voltei pra casa com os mesmos medicamentos, só que eu estava me tornando um zombie, graças a Quetiapina. Conversei com a minha médica e ela substituiu por Risperidona. Foi maravilhoso nos primeiros dias, me sentia feliz e ativa, até que comecei a sentir uma diferença na balança. Cinco...Dez...Treze quilos em 60 dias de Risperidona. A vontade de fazer exercícios físicos acabou, até pra sair de casa é um sacrifício! Perguntei pra médica se não tinha outra opção que não aumentasse tanto o apetite (e a vontade de comer doces) e ela sugeriu o Aristab.
Hoje completa 30 dias de Aristab + Lítio + Depakote e eu me sinto um nada. Parece que eu posso levar uma facada que eu estou amortecida, nada provoca nenhum tipo de emoção. Me sinto vazia. É triste. Estou triste. Não sei se estava acostumada com esse sentimento de tristeza e agora estou estranhando pois algo supriu esse vazio. Minha cabeça não para de pensar. Pensamentos confusos, coisas que nem eu entendo. 6 meses sem aquele vulcão quase em erupção, pronto pra borbulhar. Sinto falta das minhas emoções, de me sentir espontânea e viva.
As pessoas tendem a julgar e criticar quando você cogita a possibilidade de abandonar o tratamento e seguir a sua vida, mas ninguém se coloca no lugar do outro. Falta empatia nesse mundo. Eu não acho justo viver a vida inteira sendo controlada por remédios. Precisar de uma pílula pra viver em sociedade. Eu não quero isso pra mim.
Hoje completa 30 dias de Aristab + Lítio + Depakote e eu me sinto um nada. Parece que eu posso levar uma facada que eu estou amortecida, nada provoca nenhum tipo de emoção. Me sinto vazia. É triste. Estou triste. Não sei se estava acostumada com esse sentimento de tristeza e agora estou estranhando pois algo supriu esse vazio. Minha cabeça não para de pensar. Pensamentos confusos, coisas que nem eu entendo. 6 meses sem aquele vulcão quase em erupção, pronto pra borbulhar. Sinto falta das minhas emoções, de me sentir espontânea e viva.
As pessoas tendem a julgar e criticar quando você cogita a possibilidade de abandonar o tratamento e seguir a sua vida, mas ninguém se coloca no lugar do outro. Falta empatia nesse mundo. Eu não acho justo viver a vida inteira sendo controlada por remédios. Precisar de uma pílula pra viver em sociedade. Eu não quero isso pra mim.
Mecanismo de defesa e ataque I
"A psicologia enfatiza muito a avaliação dos mecanismos de defesa do indivíduo, sendo que algumas estratégias usadas pela mente para autoproteção são mais evoluídas do que outras. Por exemplo, frente a uma situação ruim, pode-se reagir de maneira mais imatura, negando ou distorcendo o fato, jogando a culpa nos outros ou assumindo condutas agressivas. Por outro lado, pode-se antecipar o fato, preparar-se para ele, matar no peito os problemas que surgem, depois brincar com a situação e quem sabe, mais tarde, canalizar a raiva para um esporte, atitudes que refletem maior capacidade e maturidade.
Muitas pessoas do perfil bipolar têm baixa tolerância à frustração e usam predominantemente os mecanismos de defesa menos maduros, como a negação, a distorção ou a projeção dos sentimento que têm contra si nos outros. Em compensação, são dotadas de um bom arsenal psicológico de ataque. O balanço entre ataque e defesa é inerente a praticamente tudo na vida: à montagem de um time de futebol, à preparação de uma estratégia política ou comercial, ao ensaio para participar de uma discussão.
Por incrível que pareça, na psiquiatria e na psicologia tradicionais ainda se falha em avaliar as qualidades dos pacientes e praticamente não se investiga as estratégias que a pessoa tem para conseguir o que quer, ou seja, para exercer a função de ataque e conquista. Imagino que uma torcida não ficaria descontente se seu time levasse três gols em uma partida em que fizesse seis. Assim como um time de futebol pode deixar furos na defesa por privilegiar o ataque, muitas pessoas do espectro bipolar têm estratégias mais frágeis e primitivas de defesa psíquica, ao mesmo tempo em que têm confiança ou apostam em seu poderio de ataque. E, como se diz, o próprio ataque é um modo de se defender.
Para continuar na metáfora, pode até ser maduro para um time antecipar as jogadas do adversário, assimilar e assumir a responsabilidade, valorizar o mérito do adversário em um gol sofrido e depois fazer graça da situação, mas se a equipe pega a bola no fundo da rede e transforma o episódio em mais gana para passar por cima do outro time, isso talvez leve a um resultado melhor no fim das contas. Claro que o time pode acabar levando uma goleada, mas, pelo empenho e vontade de buscar o gol, a torcida não vai ficar contra. Ao fim da temporada, é possível que aplique mais do que leve goleadas, porque este temperamento também favorece talentos no ataque, o que reduz a regularidade do time.
Várias características do perfil bipolar podem ser consideradas parte de um arsenal psicológico de ataque: ousadia, criatividade, entusiasmo e energia, sedução e carisma, vocação para a conquista, pensamento rápido e versátil, liderança, inovação, visão, capacidade de motivação e automotivação, muito associadas a um alto grau de otimismo, esperança e autoconfiança. Enquanto essas características parecem bem evoluídas, a agressividade e a intimidação não soam assim. Já a impulsividade pode levar ao ataque, mas também tem potencial de gerar grandes derrotas por precipitação, dependendo da situação. Pode levar a quebras de regras desnecessárias, com trapaças ou sacanagens. Assim, parece que a combinação destas características de ataque sem quebra de regras básicas com uma dose razoável de persistência e controle da impulsividade favorece a projeção, o sucesso e a conquista."
Temperamento forte e bipolaridade - P. 43 e 44
segunda-feira, 11 de abril de 2016
Bipolar? Sim, infelizmente.
Oi, esse é o meu primeiro post.
Fui diagnosticada como bipolar (e possivelmente borderline) em agosto de 2015 e desde então estou tomando medicações, tentando fazer exercícios físicos, suportar as minhas oscilações de humor e ocupar a mente com coisas positivas. Parece ser fácil, mas não é. Infelizmente a doença causou um certo estrago na minha vida...não tenho amigos e não costumo me abrir com as pessoas que estão próximas, portanto resolvi criar esse blog para compartilhar meus anseios e mazelas. O intuito dele é falar sobre bipolaridade, remédios, coisas legais que ajudam na hora que bate a crise, rascunhos e etc.
"Cansaço mental, não consigo unir as palavras e formar uma frase que faça efeito, parece que nada do que eu faço ou falo faz sentido. Me esforço pra sorrir, tento me distrair, mas nada me satisfaz. Minha vida se transformou em uma eterna turbulência, o coração acelerado no peito quase saindo pela boca, os olhos vivem marejados pensando no amanhã. Insegurança. Magreza. Beleza. Jamais serei o suficiente. Os mesmos olhos marejados se tornam águias caçando suas presas no meio da multidão. Inveja. Tristeza. Solidão. Não consigo admitir essa mania de comparação. Olho o outdoor, a vitrine e a revista. Eu quero ser igual a menina ativista, aquela que foge do padrão e mostra que beleza não é aquilo imposto pela mídia." f.j.
Fui diagnosticada como bipolar (e possivelmente borderline) em agosto de 2015 e desde então estou tomando medicações, tentando fazer exercícios físicos, suportar as minhas oscilações de humor e ocupar a mente com coisas positivas. Parece ser fácil, mas não é. Infelizmente a doença causou um certo estrago na minha vida...não tenho amigos e não costumo me abrir com as pessoas que estão próximas, portanto resolvi criar esse blog para compartilhar meus anseios e mazelas. O intuito dele é falar sobre bipolaridade, remédios, coisas legais que ajudam na hora que bate a crise, rascunhos e etc.
"Cansaço mental, não consigo unir as palavras e formar uma frase que faça efeito, parece que nada do que eu faço ou falo faz sentido. Me esforço pra sorrir, tento me distrair, mas nada me satisfaz. Minha vida se transformou em uma eterna turbulência, o coração acelerado no peito quase saindo pela boca, os olhos vivem marejados pensando no amanhã. Insegurança. Magreza. Beleza. Jamais serei o suficiente. Os mesmos olhos marejados se tornam águias caçando suas presas no meio da multidão. Inveja. Tristeza. Solidão. Não consigo admitir essa mania de comparação. Olho o outdoor, a vitrine e a revista. Eu quero ser igual a menina ativista, aquela que foge do padrão e mostra que beleza não é aquilo imposto pela mídia." f.j.
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