terça-feira, 12 de abril de 2016

Relato I

Comecei meu tratamento em uma clínica psiquiátrica, fiquei 15 dias internada tomando Carbonato de lítio, Depakote e Quetiapina, fora o Rivotril. Saí da clínica e voltei pra casa com os mesmos medicamentos, só que eu estava me tornando um zombie, graças a Quetiapina. Conversei com a minha médica e ela substituiu por Risperidona. Foi maravilhoso nos primeiros dias, me sentia feliz e ativa, até que comecei a sentir uma diferença na balança. Cinco...Dez...Treze quilos em 60 dias de Risperidona. A vontade de fazer exercícios físicos acabou, até pra sair de casa é um sacrifício! Perguntei pra médica se não tinha outra opção que não aumentasse tanto o apetite (e a vontade de comer doces) e ela sugeriu o Aristab.
Hoje completa 30 dias de Aristab + Lítio + Depakote e eu me sinto um nada. Parece que eu posso levar uma facada que eu estou amortecida, nada provoca nenhum tipo de emoção. Me sinto vazia. É triste. Estou triste. Não sei se estava acostumada com esse sentimento de tristeza e agora estou estranhando pois algo supriu esse vazio. Minha cabeça não para de pensar. Pensamentos confusos, coisas que nem eu entendo. 6 meses sem aquele vulcão quase em erupção, pronto pra borbulhar. Sinto falta das minhas emoções, de me sentir espontânea e viva.
As pessoas tendem a julgar e criticar quando você cogita a possibilidade de abandonar o tratamento e seguir a sua vida, mas ninguém se coloca no lugar do outro. Falta empatia nesse mundo. Eu não acho justo viver a vida inteira sendo controlada por remédios. Precisar de uma pílula pra viver em sociedade. Eu não quero isso pra mim.

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